Noite solo
Chegou com a cabeça erguida, passos firmes, olhos um pouco surpresos da imagem que via.Quando se ligou a outro par de olhos, pouco receptivos, logo deixou sair um sorriso feminino, ganhou a entrada, juntou as moedas e pagou a cerveja, bebeu o primeiro gole e depois, só depois daquele tão esperado gole gelado reparou bem os poucos cabeludos, barbudos que falavam sobre qualquer coisa ao seu lado e a olhavam com ar de curiosidade querendo entender porque ela se encontrava lá, naquele horário reservado para suas falácias e piadas sem graça. O lugar a encantou, seus livros pendurados no teto, deixava claro que as palavras são soberanas e estão vagas, aguardando uma massa cefálica para as por em ordem e sentido; paredes que carregavam a história de noites com músicas, muita prosa e poesia.
Ela só queria ouvir um blues, mas era dia de jazz; então se conformou com o jazz, a banda ainda não tinha chegado. Ela só queria fumar um cigarro, mas a dona do dono do bar a fusilou com o olhar, então se conformou em se levantar e ir lá fora, com o frio que aumentava a solidão. Ela queria tomar um porre, mas suas moedas tinham acabado, degustou cada gole como se fosse o último. Ela queria ficar sozinha, mas veio um conhecido com jogos de palavras, ela calou-se e sorria quadrado. Ela não queria vozes, só um jazz; mas o cigarro acabou, a cerveja acabou, a banda não começou. Ela foi dormir.
Ela só queria ouvir um blues, mas era dia de jazz; então se conformou com o jazz, a banda ainda não tinha chegado. Ela só queria fumar um cigarro, mas a dona do dono do bar a fusilou com o olhar, então se conformou em se levantar e ir lá fora, com o frio que aumentava a solidão. Ela queria tomar um porre, mas suas moedas tinham acabado, degustou cada gole como se fosse o último. Ela queria ficar sozinha, mas veio um conhecido com jogos de palavras, ela calou-se e sorria quadrado. Ela não queria vozes, só um jazz; mas o cigarro acabou, a cerveja acabou, a banda não começou. Ela foi dormir.