Será então isso que é viver poesia?

Sentir o dia passar sem me arranhar
a carne dilacerada, doída
meu corpo arrastado
duas voltas num percurso de doze horas

O coração batendo na caixa craniana
enclausurado
cego
acelerado
procurando
enxergar algo
no escuro

Na vida real
vivo o meu conto de fadas
rainha do tempo
pouco densa
estou nadando
num longo rio
sem vontade de voltar

O coração no tórax
a emoção no corpo
a mente pra frente
os pés flutuando do chão.

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