Sakura

A flor viva
em xilema se faz novo dilema
abre-se  sem caminho
desconhecidos percursos
por mares nunca antes navegados
regam alimentam e abrem o broto
novo

pulsando
dilatada
flor

nova cor
forma
perfume
textura


doidos
doloridos cortes
essenciais
inevitáveis

e quando a pétala anuncia
a morte iminente de uma flor
nascida do mais puro acaso
o luto nasce
renasce

aquela pétala
junto com tantas outras
parte

por maior que seja a tempestade
por mais que se regue
por mais forte que seja a vontade

vai

se volta
quem sabe

se vier
que reviva
novo broto

nova flor
[de]novo xilema
fluindo
dilemas

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