Prazer, soneto
Na madrugada acordo sem sonho
um lampejo sem luz sem som sem corpo
a alma sem ideia d'onde passear
partilha com a razão o anseio de viajar
O livro longe da cabeceira
grito da solidão alheia me preenche
e reapresenta-me o antigo soneto
razão em dois quartetos mais dois tercetos
seus dez sons no verso exalam e expande
faz-se formada música cantada
da lei harmonia histórica gerada
[des]de parnásia a romance e Gomorra
de linha reta incerta sem meta
poesia é a melodia d'alma do poeta