Entulho

Um dia ela me perguntou se poderia
 dilacerar meu coração, ferir meu orgulho,
me fazer sentir a mais feia, um bagulho
por causa de um entulho.

De resposta só dei meu pranto,
engasgado na garganta
mostrando só um pedaço do sofrimento que seria.
Afinal, quem em sã consciência deixaria?

Ainda tem uma coisinha apertada no peito
amor bobo de menina,
pedaços desse entulho,
que inocência ainda pensava que teria um futuro.

Sem dó, nem piedade
 ela dá o golpe.
Na calada da noite,
deixando do outro lado da cidade
a cama de outro homem a esperar-te. 

Pra que querer todo mundo?
Já não basta todos os olhares?
Todos os sorrisos, gracejos, chamegos.
Todo mundo a te desejar!

Me rouba a confiança,
os sorrisos,
os amigos,
até o álcool já não me quer bem.

Espero que não te façam o que me fez.
coisa mais feia, pútrida e nojenta
querer justamente o que aquela que mais te ama, 
te apoia, sonhava em ter.

Há um leque infinito de gozos,
um álbum de figurinhas completo,
com as mais belas intenções
que o teu orgulho te impede de ver.

Acho que já não te quero tão bem.
Deixa que a bohemia 
que nunca vacila
seja minha eterna companhia.



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